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A Língua Portuguesa e os ditados populares


 

Há alguns dias recebi um e-mail bastante esclarecedor, sem falar que dei umas boas risadas sobre equívocos de ditados populares que aprendemos na infância e reproduzimos naturalmente. Com a ajuda do professor Pasquale poderemos corrigir alguns deles, ou não.
Hoje é domingo pé de cachimbo..., uma parlenda que aprendemos quando pequenos na escola, e todos conhecemos o complemento, mas o correto é ‘Hoje é domingo pede cachimbo’, porque domingo é um dia propício para relaxarmos e para os que gostam, até fumar um cachimbo, ainda muito comum no interior e na zona rural.
Quem nunca ouviu a frase ‘Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro’, mas alguém já soube de algum bicho que fosse carpinteiro? Certamente não, porque o correto é ‘Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.
Com certeza alguma vez você declamou ‘Batatinha quando nasce esparrama pelo chão’, sabendo que a batata é um caule que se desenvolve embaixo da terra, ela não pode se esparramar, porque na realidade o correto é “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão’, estranho não é? Parece até não rimar.
Ainda semana passada ouvi a referência a ‘Cor de burro quando foge’, alguém conhece essa cor? E afinal, burro muda de cor quando foge? Na realidade somos nós que corremos enquanto o burro foge, porque o correto é ‘Corro de burro quando foge’.
Outro mais comum é ‘Quem tem boca vai a Roma’, certamente entendemos o incentivo desse ditado que é quando não souber, pergunte que você chega lá, mas na realidade o correto é ‘Quem tem boca vaia Roma’, afinal em vários registros históricos identificamos as ações de Roma que merecem uma enorme vaia.
Em relação às semelhanças entre parentes, quem nunca ouviu o ‘cuspido e escarrado’, mas o correto é ‘Esculpido em carrara, isso mesmo, carrara para quem não conhece é um tipo de mármore.
Será que alguém já caçou com gato? Pelo menos, é o que popularmente se refere o ditado ‘Quem não tem cão caça com gato’, certo? Errado, porque o ditado correto é ‘Quem não tem cão, caça como gato, referindo-se a caçar sozinho, uma característica desse felino.
Sem dúvida as explicações são esclarecedoras, mas um pouco sem graça, não concordam? Afinal a intencionalidade é proporcionar a eficácia da comunicação, ou seja, aos que não tiveram acesso às normas da Língua Portuguesa em um espaço formal vale a intencionalidade dos ditados populares.

Raízes da Violência Política em Alagoas

 

Por Golbery Lessa- historiador
Dedicado a Alexystaine Laurindo e Mariana Pércia

O autoritarismo em Alagoas manifesta-se de maneira muito mais perversa do que nas regiões mais desenvolvidas do país.
Isso é determinado pela forte presença da grande propriedade agrícola, pecuária e agroindustrial e pelos nossos baixíssimos índices de verdadeira industrialização e de divisão social do trabalho.
A expressão dessa base econômica no universo político é um órgão estatal profundamente oligárquico, autoritário e patrimonialista. A burguesia alagoana se expressa na esfera política como uma oligarquia, como um conjunto de poucas famílias que domina os três poderes nos quais se divide o Estado contemporâneo.
Esse poder é exercido de maneira autoritária e patrimonialista, sem respeito às leis democráticas vigentes e à separação que deve existir entre o patrimônio público e o patrimônio privado dos governantes.
No universo cultural, essa economia e essa política atrasadas determinam a vigência de idéias e costumes racistas, antidemocráticos e paternalistas, além de uma grande dificuldade para que as correntes de pensamento progressistas possam se estabelecer com consistência e durabilidade.
Quase não há espaço público em Alagoas, os direitos políticos fundamentais não têm vigência plena, sobrevivem apenas de maneira residual; subsistem mais pela inserção do estado na Federação do que por razões internas.
Em Alagoas, o Estado de Direito tem uma existência mais formal do que real: as formalidades jurídicas são observadas juntamente com um quase completo desrespeito ao conteúdo das leis.
Esse caráter residual da democracia é mais agudo no interior do que em Maceió. Isso ocorre porque na Capital há uma maior complexidade econômica, social e ideológica.
A classe proprietária divide-se em um largo arco-íris de tipos e subtipos, formados por comerciantes, pequenos industriais e empresários do setor de serviços, e as grandes usinas não têm peso significativo na economia da cidade.
Na capital concentra-se uma grande massa de assalariados do setor público e do setor privado; massa que encontra um ambiente objetivo mais propício para a organização sindical e política e também para expressar-se ideologicamente com mais liberdade e consistência.
Para tornar ainda mais complexo o quadro de Maceió, há também uma grande massa de subempregados e desempregados que enlaça a cidade como um grande cinturão de necessidades humanas insatisfeitas e, devido à sua fragmentação objetiva, resiste a quase toda tentativa de organização política duradoura, seja de esquerda ou de direita.
Porém essa massa sofredora e estigmatizada pensa, sente, e é influenciada pelas vanguardas políticas da cidade e movimenta-se freqüentemente como um grande bloco nos períodos eleitorais e em outros momentos políticos, sendo capaz de determinar a vitória ou a der-rota de qualquer corrente política na cidade e, muitas vezes, no Estado.
Em Maceió, a complexidade e a magnitude dos interesses e, portanto, das possibilidades de conflito, impõem uma vigência um pouco mais significativa das instituições democráticas.
Nos municípios do interior, em suas áreas rurais e urbanas, os direitos políticos fundamentais são radicalmente negados para os assalariados, os camponeses, a pequena burguesia rural e a classe média das cidades.
Os grandes proprietários de terra e de outros bens de produção decisivos dispõem de um poder político discricionário; poder que é baseado na política de clãs familiares, no compadrio, na negação do espaço público para os adversários, na aplicação da violência física para solucionar desde os pequenos conflitos até as questões decisivas, e no desprezo pelo embate das idéias no universo da política.
Trata-se, portanto, de um espaço onde domina, quase inconteste, o arbítrio dos poderosos, os caprichos de um pequeno grupo de pessoas que possui o domínio político quase absoluto sobre a massa da população.
A diferença existente entre as estruturas de poder no interior e na capital constitui-se em um fenômeno básico no universo político do estado de Alagoas.
Os movimentos democráticos e progressitas desenvolvem-se geralmente em Maceió e, posteriormente, são obrigados a enfrentar a dura reação que se baseia nos municípios do interior, principalmente naqueles de menor população e complexidade social.
A reação oligárquica muitas vezes é tão forte que isola e derrota esses movimentos.
Essas circunstâncias têm servido, durante parte da nossa história, como uma grande muralha separando politicamente a classe trabalhadora, a pequena burguesia e a classe média de Maceió dos trabalhadores, pequenos burgueses e setores médios do resto do Estado.
Os assalariados do Sertão, do Agreste e da zona canavieira, parte essencial de qualquer movimento democrático e progressista em Alagoas, ficam separados uns dos outros e apartados das forças populares maceioenses pelas cercas de cada fazenda ou usina e pela vigilância ininterrupta e violenta das oligarquias interioranas.
Ser um sindicalista combativo na zona canavieira, no Agreste e no Sertão tem sido algo análogo a assinar para si mesmo uma sentença de morte ou, pelo menos, chamar para perto de si a desgraça.
A Assembléia Legislativa foi durante toda a história alagoana a expressão condensada do poder dos coronéis interioranos.
E essa característica essencial do poder legislativo não foi nem de longe negada pelo surgimento, em alguns momentos históricos, de depu-tados democratas, progressitas e comunistas, já que, apesar do seu esforço e do seu heroísmo, o número destes parlamentares sempre foi muito reduzido em relação ao número de representantes da oligarquia.
O Legislativo alagoano tem sido, historicamente, a Casa das oligarquias e não a Casa do povo; em Alagoas, este poder não é um instrumento para a democracia, é uma ampla vereda para o autoritarismo e a dilapidação do patrimônio público em benefício da classe dominante.
De maneira análoga, o Poder Judiciário funcionou na nossa história como um braço jurídico dos poderosos na sua luta contra o Estado de Direito democrático e contra a justiça.
Apesar da luta de alguns juízes, procuradores, defensores públicos e advogados para reverterem esta situação vexatória, seus esforços têm resultado em melhorias muito pontuais, o que é determinado tanto pelo ambiente oligárquico geral como pelas dificuldades inerentes à luta na esfera do Judiciário.
Em Alagoas, o crime organizado não é independente dessa realidade antidemocrática de longa duração.
Em um ambiente social marcado pelo poder dos coronéis, não surpreende que se desenvolvam grupos armados que misturam os crimes comuns com as suas intervenções, abertas ou veladas, no jogo político.
A própria forma adquirida pelo poder político em Alagoas torna esses grupos armados uma necessidade estrutural da classe dominante, bem como torna estrutural a conivência dessa classe com suas várias dimensões.
As quadrilhas formadas nesse ambiente somente são reprimidas pelo aparelho do Estado quando passam de determinados limites; isso ocorre quando criam escândalos nacionais ou quando se chocam com os interesses das próprias oligarquias.
A agudeza do autoritarismo alagoano também se revela no universo do pensamento cotidiano e das formas culturais mais complexas, sejam eruditas ou populares.
A vida em Alagoas é marcada por profundos preconceitos e discriminações sociais, raciais e de gênero. O pouco desenvolvimento da divisão social do trabalho e, portanto, das instituições sociais e políticas modernas, cria um ambiente altamente suscetível a que as pessoas sejam avaliadas tanto pela sua posição de classe quanto pelas suas dimensões biológicas e culturais.
Assim, os negros, os índios, os mestiços, as mulheres, os homossexuais e os deficientes físicos e mentais sofrem, na terra do Quilombo dos Palmares e de Nise da Silveira, uma opressão tão aguda que é de difícil descrição, principalmente quando esta opressão vem acompanhada pelo preconceito relativo à origem de classe.
Também nesse aspecto, a situação no interior é mais grave do que em Maceió.
O espaço social marcado pelo par latifúndio-minifúndio e pelo trabalho agrícola braçal, ou seja, a inexistência de um setor de serviços amplo e de uma indústria significativa determina a prevalência de uma cultura patriarcal, dificultando a libertação feminina e sua luta pela igualdade de direitos com os homens.
Os homossexuais são moralmente dizimados, sofrem vários tipos de violência simbólica infames, quando não são mortos.
Esse ambiente rigidamente hierarquizado e rancoroso é propício para o desenvolvimento dos mais baixos sentimentos de superioridade familiar e racial, o que concorre para que as sobrevivências do passado escravista sejam constantemente renovadas e estigmatizem profundamente os negros, os índios e os mestiços, os quais, não por acaso, estão geralmente entre as camadas mais pobres da população.
Mesmo apresentando esse fenômeno de maneira mais atenuada, Maceió não está livre desses preconceitos abjetos: a grande maioria da população maceioense é completamente estigmatizada pela cor da pele, pela sua situação social e pelo seu local de moradia.
Esses estigmas e a luta contra eles consistem na principal marca das culturas maceioense e alagoana.
Em Alagoas não prosperou nem a ideologia da “democracia racial”; ideologia que, apesar de encobrir de maneira capciosa a opressão contra os não- brancos, é uma espécie de tributo que o vício do preconceito paga à virtude da democracia.
Concluindo, podemos dizer que a radicalidade do atraso alagoano, a maneira particularmente perversa de o Estado reproduzir o capitalismo periférico e retardatário brasileiro constituiu, seja na economia, no universo político e na esfera da cultura, uma formação social muito peculiar, uma espécie de purgatório terreno no qual gerações foram colocadas para medir os limites da tragédia humana.
Possuímos quase todos os defeitos do capitalismo nas suas manifestações mais radicais e não temos a maior parte dos aspectos positivos desse modo de produção.
Temos o egoísmo individualista, mas não temos a democracia; temos tecnologias que desempregam, mas não temos alfabetização; temos miséria urbana, meninos e meninas vivendo na rua, idosos espalhados pelas calçadas, mas não temos empregos industriais e políticas de amparo social consistentes.
Enfim, sofremos as conseqüências dilacerantes de possuirmos de uma maneira congênita e radical os problemas do atraso e as mazelas da modernidade.  

A Redenção de Cam

Imagem retirada da internet
Este quadro foi produzido pelo pintor espanhol Modestro Broccos em 1895, e encontra-se no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Para entender o título dado ao quadro precisamos conhecer um pouco das histórias bíblicas, em especial, quem foi e o que aconteceu com Cam.
Etimologicamente, Cam é mencionado no livro de Gênesis como filho de Noé, irmão de Sem e Jafé, que após o dilúvio mudou para o sudeste da África e proximidades do Oriente Médio, assim, os habitantes dessas localidades são mencionados como descendentes de Cam.
A história conta ainda que após o fim do dilúvio, Cam encontrou Noé embriagado e em total nudez, e ao invés de cobri-lo, zombou de seu pai  contando o fato a seus irmãos. Ao acordar, Noé soube do acontecido e o amaldiçoou, bem como a toda sua descendência, referindo-se a ele como o "servo dos servos", e serviria como escravo, inclusive aos dois irmãos.
Esta história deu origem a crença popular de que os descendentes de Cam seriam os povos de pele escura de algumas regiões da África e do Oriente Médio, e foi utilizada por muito tempo como argumento de teóricos e mercadores para justificar a escravidão, principalmente no período colonial. Desta forma, teria sido o pecado de Cam, o causador da escravidão, apresentada como punição divina aos seus descendentes, justificando inclusive, a escravidão dos povos africanos trazidos para o Brasil.
Na obra é retratada as três gerações de uma mesma família, em frente a uma habitação. Identificamos facilmente a avó negra, a mãe mulata, e a criança, claramente com fenotipo branca, herdado do pai, também branco.
A matriarca da família retrata a ânsia das elites brasileiras pelo embranquecimento da população no início do século passado. A mulher emocionada ergue as mãos aos céus, em gesto de agradecimento pela "redenção", através do nascimento do neto branco, que não herdará por meio da cor, as angústias e perdas decorrentes de um passado escravocrata.
O quadro foi citado por João Batista Lacerda no I Congresso Internacional das raças, realizado em julho de 1911. Em sua tese, Lacerda apresentou que “o Brasil mestiço de hoje tem no branqueamento em um século sua perspectiva, saída e solução”, pois desde final do Séc. XIX que o Brasil era visto como uma sociedade de raças cruzadas, e a miscigenação tão evidente, foi divulgada pela biologia como fenômeno de degenerescência.
A tese de Lacerda aliada as teorias raciológicas brasileiras influenciou vários autores, dentre eles, Silvio Romero, Nina Rodrigues, Oliveira Vianna, Artur Ramos, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, e forneceu a sutentabilidade necessária a implantação da política do branqueamento, pautada no racismo científico.
Isso mesmo, o racismo já foi ciência, e em meados do século XIX (1853) o Conde francês  Joseph Arthur de Gobineau publicou seu  "Essai sur l'inégalité des races humaines" (Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas). Gobineau  via o Brasil como um país "sem futuro" devido a grande quantidade de pretos e miscigenados, e defendia que o país precisava "branquear" (se livrar dos negros).
Desta forma, o racismo no Brasil foi um processo inventado e mantido pela elite branca que perversamente apresentava a população branca como padrão de referência de uma espécie através da apropriação simbólica que instituiu a supremacia econômica, política e social de uma parcela da população brasileira, parcela esta, que nós por meio dos ditos padrões de referência legitimamos até os dias atuais.

Professora Amanda Gurgel (RN) recusa prêmio de empresários da PNBE

A professora Amanda Gurgel recusou, no sábado (2) de julho, receber um prêmio oferecido em sua homenagem pela associação Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE).
Ela ficou conhecida após fazer um discurso na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte a respeito da situação da educação no estado.
A PNBE havia dedicado a ela o prêmio 2011 na categoria "educador de valor". No seu blog na Internet, Amanda Gurgel reproduz a carta que enviou à organização justificando a recusa ao prêmio. (Fonte: Fepesp)
Abaixo, reproduzimos a íntegra do documento:
Natal, 2 de julho de 2011
Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,
Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, "pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação".
A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.
Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação.
Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald's, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva. A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação.
Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE.
Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE.
A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.
Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas "organizações da sociedade civil de interesse público" (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas.
Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.
Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas.
Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.
Saudações,
Amanda Gurgel
 
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Cora Coralina (poeta de Goiás)